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Biografia de uma Anônima: No reino da futilidade

Biografia de uma Anônima

Friday, January 19, 2007

No reino da futilidade

Uma das coisas mais legais q o Roberto (recaptulando, o namorado da minha mãe) fez por mim foi me dar uma gata. Minha mãe tinha uma imagem péssima de gatos (devido ao Coro, meu gato preto vira-latas de quando eu tinha uns 5 anos), mas o Roberto a convenceu com o argumento q gatos fazem as necessidades na caixinha de areia. O próprio Roberto, filho de uma inglesa, havia tido muitos gatos, jurou q era uma boa idéia. Vimos um anúncio de siamêses no jornal e fomos até lá escolher um. Eu, q sempre adorei bichos, estava muito animada. Chegando lá, tinha uma ninhada de gatinhos, um mais bonito q o outro. Sentei no meio da gataria para observar melhor os filhotes e escolher aquele q eu queria. dado um tempo, um dos filhotes sentou na minha frente e começou a me observar também. Quando eu a peguei, ela miou e começou a me lamber. Era aquela mesmo! Levei ela para casa e a chamei de Gaia (pq eu queria um nome q começasse com "G", fosse pequeno e tivesse predominância de vogais. Abri um dicionário de mitologia grega e lá estava!)No dia 8 de dezembro de 2000 eu fui a uma festa gótica (do pessoal de uma lista de e-mail chamada "goticodf") numa casa noturna chamada Zona Z, q ficava perto do palácio do buriti. A festa foi incrível, conheci muita gente interessante (todos mais velhos q eu) e a música era ótima. E conheci um menino chamado Marcus Vinícius. Ele era, no mínimo estranho. Não estranho no sentido de se vestir de forma excêntrica, ter piercings e tatuagens inúmeras pelo corpo e um cabelo absurdo. Até pq, naquele lugar, nada disso seria estranho. Ele era uma pessoa estranha, mesmo. E começamos a namorar, acho q por solidão de ambos os lados. Ele era pequeno, magro e franzino e eu sempre fui enorme, gorda e sutil como uma vaca. Devia ser um casal engraçado. Ele cursava desenho industrial na UnB, desenhava muito e era uma das pessoas menos verbais q eu já conheci. Tinha um senso de humor q era até chato, meio negro, meio irônico e meio pateta, mas me fazia rir o tempo todo. Na primeira noite q ele dormiu na minha casa, ele teve q dormir num colchão na sala (minha mãe estava meio arrependida de ter me dado tanta liberdade sexual) e ele deve ter passado a noite com a Gaia pulando na cabeça dele. No dia seguinte, quando fui acompanhar ele até o ponto de ônibus (nessa altura, no bairro q nós morávamos já tinha uma lotação q passava de meia em meia hora, para um bairro viziho onde se podia pegar um ônibus para o centro). Vi o carro da vizinha passar, mas não dei importância nenhuma para o fato. Quando voltei para casa minha mãe estava possessa e disse q a vizinha veio contar para ela q eu e o Marcus estávamos fumando maconha no ponto de ônibus. (!!!) Levou um tempão para ela entender q aquilo era loucura (não pq eu nunca faria aquilo, mas pq não era muito do feitio do Marcus, q ela conheceu melhor depois). Assim q meu avô morreu, minha avó veio morar conosco no nosso apto. Nós brigávamos todo o tempo (acho q pq minha avó sempre fazia perguntas demais e dava palpites demais e, mesmo ninguém a levando a sério, eu detestava e não admitia nenhum tipo de controle na minha vida). Ela acabou passando pouco tempo conosco e voltando para a casa dela (pq ela sentia muita falta da casa dela, com os copos e os sofás no lugar q ela quisesse, do jeito q ela quisesse). Nesse tempo, meu namoro com o Marcus foi ficando mais íntimo e intenso. Cerca de um mês depois de começarmos a namorar, resolvi tomar uma iniciativa para começarmos a trepar. E nossa vida sexual era bastante interessante, com um pouquinho de dominação, uns fetichezinhos sadô-masô, umas inversões de papéis... ele se vestia de menina de vez em quando para mim, e eu achava aquilo o máximo. Na época de volta às aulas, o Roberto propôs à minha mãe q me colocassem num colégio grande no centro da cidade, pq eu tinha q parar de freqüentar o DI (e conseqüentemente, parar de beber, usar drogas e andar com pessoas q faziam esse tipo de coisa). Na verdade, eu já não ia mais para o DI, pq as pessoas de lá eram muito burras e não tinham hábito de ler (o q havia se tornado um dos meus passatempos prediletos). Certa vez comentei alguma coisa sobre o Sartre numa "rodinha de vinho" e quase ninguém entendeu do q eu estava falando. Aí eu desencantei. Mas, enfim, mesmo assim fui para o Objetivo, colégio grande e caro no centro da cidade, q o Roberto ajudava minha mãe a pagar. Eu era trash, escrota e tosca. Me vestia esquisitamente e tinha um monte de piercings. Era gorda e usava maquiagem pesada. Não preciso nem dizer q não fui bem recebida por aquele bando de playboyzinhos e patricinhas pagodeiros. E eles eram cruéis. Comecei a me sentir mal com aquele povo me criticando e me excluindo. Mas eu era tão forte naquela época q sentia algo como "Bah, fodam-se eles! Se eles não querem é pq eles são muito pequenos para mim" e acabei conhecendo pessoas lá mesmo q valiam a pena e q me mereciam, como a Jacqueline. Ela era uma branquela, pequenininha e magra, q usava o uniforme dos meninos (um bermudão de tactel azul escuro) com coturno e um spike gigantesco no braço. Ela parecia aquela sailor moon lésbica. E ela me olhava com aquele ar de "Ai, ai, como esse povo é burro" quando eu corrigia alguma informação durante as aulas de biologia e todos riam achando q eu não sabia do q eu estava falando, ou riam pq eu era gorda. Eles eram pequenos para nós. E nós ficamos inseparáveis, uma suportando a outra num mundo hostil de tão estúpido. Como eu não tinha problemas para dizer q eu era bissexual, o preconceito entre o povo do colégio e nós duas era enorme, de forma q até jogaram uma pedra (uma brita, na verdade) nas costas da Jacque durante um recreio. Nessa época a Jacque namorava um idiota (aliás, o gosto dela para homens sempre foi deplorável) q me odiava muito pq eu sempre fazia ela voltar para casa insatisfeita com ele. Eu queria q ela terminasse com ele, claro, e não poupei esforços para tal. Animava ela em relação a outros meninos q me pareciam interessantes para ela, falava mal do namorado imbecil e bundão. Até q ela largou ele. Um dia, numa aula onde juntaram minha turma com mais outra (pq o professor q deveria dar aula para a outra turma naquele horário havia ficado doente) e tivemos aula num anfiteatro. Eu fiquei lixando minhas unhas, como costumava fazer quando ficava entediada. Olhei para uma menina q estava sentada na minha frente e comentei com a Jacque "q menina chata, idiota, parece uma puta, etc etc etc". No fim da aula a menina veio puxar papo comigo e perguntou se eu já tinha visto o filme "A Bruxa de Blair 2". Eu, sem paciência e sem interesse, disse q não. E ela disse q, no filme, uma gótica matava alguém com uma lixa igual a minha. Achei curioso e comecei a olhá-la com outros olhos. A verdade é q ela era muito bonita. Um cabelão enorme, preto e ondulado, pele bronzeada e um corpo perfeito. Ela também era bissexual e questionava como eu podia me dizer bissexual se não tinha transado ainda com nenhuma mulher. Bateu tanto nessa tecla q, uma noite q ela foi dormir na minha casa, transamos a noite inteira. Além de linda, Hellen (esse era seu nome) era de uma femilidade enorme e era uma pessoa muito livre, de tudo. Ela era leve! Ao fim do primeiro ano eu tinha um namorado incrível, uma vida sexual invejável, amigas fiéis. Mas no segundo ano do ensino médio a Jacque e a Hellen tiveram q sair do colégio por problemas financeiros.

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