Com a auto estima no chão
Era agosto de 1999. Minha mãe precisava encontrar um outro colégio q me aceitasse naquele período do ano. Encontrou uma outra escola particular e pequena, q ficava um pouco mais distante da casa dos meus avós (para onde eu ia pela manhã, almoçava lá e ia para a escola, voltando para a casa deles depois, onde minha mãe me pegava quando saía do trabalho). Ela me levou para uma reunião com o coordenador do novo colégio, Álvaro, para q eu conhecesse o estabelecimento. Eu vestia uma camisa do Black Sabbath, o q chamou a atenção do coordenador. Ele se virou para mim e comentou q gostava do Black Sabbath também. Quando eu fiz menção de conversar com ele, minha mãe ordenou q eu calasse a boca. Era melhor obedecer! Deixaria aquela conversa para outra ocasião. Mas aquele comentário foi o suficiente para acender uma gigantesca esperança em mim. E o Álvaro (talvez ele tenha sido o único homem na minha vida a conseguir tal feito) não só atendeu às minhas espectativas como as superou. Ele acreditava em mim. Ele me tratava como se eu fosse especial. E, numa época q eu estava completamente sozinha e desamparada, com a impressão de q minha mãe e todas as pessoas do mundo não me davam crédito algum, Álvaro me fazia acreditar em mim mesma. Ele resgatou minha auto estima do chão. Ele me fez ver q eu era especial, inteligente, única. Ele próprio era muito único: era um senhor careca e magro q escondia, debaixo do terno e gravata, as cerca de sete tatuagens. Me fazia pensar em coisas q eu nunca pensara antes, como soluções para a reforma agrária e coisas assim. Me ensinou a ouvir The Clash e a ler Kafka. Lemos "Carta ao pai" juntos. Acho q tive um certo complexo de Electra com ele. Certa vez, fiz um trabalho de história do Brasil, mas o professor não acreditou q eu tivesse redigido o texto, me acusando de tê-lo copiado da internet. Mas não o Álvaro, q guardou o trabalho para ele e o achou genial. Ele sabia q o texto era de minha autoria, pois se tratavam de coisas q nós dois discutíamos na sala de coordenação.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home