Free JavaScripts provided
by The JavaScript Source

Biografia de uma Anônima: Pessoa ordinária ou extra-ordinária?

Biografia de uma Anônima

Monday, January 15, 2007

Pessoa ordinária ou extra-ordinária?

Com 8 anos, então, eu estava na 2ª série do 1° grau (agora chamado de ensino médio). Estudava num colégio pequeno, mas particular, no mesmo bairro q eu morava. A escola era boa no limite em q uma escola pode ser boa para uma criança q não é muito comum e q sente certa dificuldade em fazer amigos. Mas eu tinha alguns amigos, sim. Duas garotas, a Gisley (é, assim mesmo) e a Mariana. Não dividíamos grandes segredos nem confiávamos piamente uma nas outras. Mas costumávamos andar juntas.
Numa festa de aniversário da Gisley eu tive um sentimento q me acompanharia para o resto da vida: aquela sensação de q se está sozinho, mesmo quando perto de uma multidão. Vc olha as pessoas se divertindo ao som daquela música q não diz nada para vc, todos entretidos e o tempo começa a ficar devagar, tudo se movendo em câmera lenta e vc ali, observando tudo e todos. Então vc se sente, de uma maneira inexplicável, acima de todo mundo e, ao mesmo tempo, inferior a todos. Mas aprendi a conviver com esse sentimento.
Tanto eu, quanto a Gisley e a Mariana, tínhamos o mesmo objeto de paixão. Um menino dos anos mais velho, Paulo, q estudava na nossa classe. Paulo era branco, com aquela robustez das crianças mais saudáveis, corado e tinha um sedutor cabelo loiro e liso, caindo até a altura dos ombros. Nós três éramos loucas por ele. Mas acho q elas eram muito medíocres para uma pessoa tão extra-ordinária. Eu, obviamente, era uma pessoa única e diferente de todas as outras, como ele. E nós dois ficamos amigos e começamos a freqüentar a casa um do outro.
A família do Paulo, de origem italiana, era o mais fascista q uma família pode ser. Seu irmão mais velho parecia ser o Mussoline em pessoa, só q incrivelmente mais bonito. Certa feita, já tinham umas três semanas q as aulas tinham começado, ele perguntou se a minha mãe poderia comprar o material escolar dele, se ele desse o dinheiro, pq os pais dele ainda não tinham comprado. Minha mãe ficou levemente chocada com o descaso dos pais dele.
Mais tarde, acho q na quarta série, havia um monte de ilustrações onde nós tínhamos q escrever uma história. Todos, inclusive eu, escreveram uma história padrão. Era uma arvorezinha q crescia, dava frutos e ficava rodiada de borboletas. Paulo escreveu uma história diferente. Com a ilustração da árvore cheia de bolotinhas pretas (era para serem os frutos) e as borboletas em volta da planta, Paulo escreveu q a árvore era tão incrivelmente chata q as borboletas defecaram nela. Com essas palavras. Os professores sufocaram aquele grito de criatividade e expressividade, como geralmente a escola faz. Minha mãe adorou a história. Paulo realmente era uma pessoa extra-ordinária.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home