Infância
Lembro-me de poucos detalhes sobre a minha infância. As poucas lembranças q tenho são pequenos flashes, fragmentos de situações. Minha lembrança mais antiga é do meu avô me carregando no colo da garagem para dentro da casa, pela porta dos fundos, e deixando meu carrinho na garagem vermelha (como o pullover dele era vermelho). Pelo q minha mãe conta, o carrinho foi roubado quando eu tinha seis meses de idade, portanto esse flash é anteior a isso. Obviamente, pode ser apenas uma das lembranças q eu criei, de coisas q nunca aconteceram, para - talvez - preencher a vida com um pouco de realidade (ironicamente, uma realidade inventada).
Lembro-me do quintal de chão de cimento, da varanda vermelha voltada para esse quintal (q depois o meu avô construiu o q seria a sala de estar da parte da casa q era reservada a mim e à minha mãe), dos cães da minha infância (um certo pastor alemão q talvez eu só me lembre pq o vi numa foto). Com cerca de uns 4 anos eu fui morar com a minha mãe em uma casa alugada, q ficava relativamente perto da casa dos meus avós. Lembro-me de empilhar uma cadeira emborcada sobre a outra e fazer assim uma "casinha" para meus cães de pelúcia. Lembro-me de ganhar um gato preto (o chamei de Coro), completamente vira-latas, q fazia xixi nas britas do quintal sob o sol e exalava um cheiro de uréia (ou como eu acho q a uréia deve cheirar) além de desfiar com as garras as folhas das plantas da minha mãe. Ela, já não suportando mais meu gato, me esperou viajar com meus primos e, na minha volta, me contou q os primos do meu gato tinham passado pela nossa rua e q ele acreditou ser melhor voltar para a família dele (e então me questionou "Vc não faria o mesmo, no lugar dele?", o q deu uma certa veracidade à história).
Então, quando tinha 6 anos, minha mãe resolveu voltar a morar na casa dos meus avós, para juntar dinheiro para comprar um apartamento para nós duas. Nessa época ela trabalhava como professora de português na fundação educacional, e perto dessa ocasião (imagino eu) ela dava aula para alunos surdos-mudos. Não me lembro ao certo quando, mas ela então passou num concurso para o Tribual de Justiça do DF (em sexto lugar) após quase se matar de tanto estudar. Ela realmente odiava dar aulas.

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