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Biografia de uma Anônima: A incompetência alheia não me torna mais potente

Biografia de uma Anônima

Monday, January 15, 2007

A incompetência alheia não me torna mais potente

Na quinta série, ano de 1997, eu ainda tinha um hábito de levar meus cachorrinhos de pelúcia para o colégio. O cachorro de pelúcia estava doente, e eu estava certa de q era minha obrigação ficar sempre perto dele. Os meninos da classe (e isso incluía o Paulo) brincavam de colocar o Ken por cima da Barbie, simulando o q eles entendiam ser um ato sexual. Eu não me importava com sexo, me importava com cachorros. A diferença entre a minha mentalidade e a mentalidade dos meninos da minha classe (era uma classe de 10 pessoas, sendo 9 meninos e só eu de menina) era tão grande q as secretárias do colégio me questionavam pq eu carregava bichinhos de pelúcia para o colégio. Eu não estava muito grandinha para aquilo? Eu achava q elas é q estavam muito velhas.
No ano de 1998, no meio do ano, minha mãe resolveu me tirar do colégio e me colocar na fundação. Nunca havia estudado em colégio público e não me animei muito com a idéia. Fiquei três meses no colégio público. O professor de matemática era alcóoolatra e dormia na classe ao invés de dar aula. Tinham aulas de ensino religioso, q minha mãe (q sempre foi atéia), me deu permissão de não assistir, mas eu sabia q aquilo era visto com maus olhos pelas funcionárias do colégio. E a professora de português não sabia o q era um verbo de ligação. Como eu nunca prestava atenção nas aulas e ela tinha o hábito de perguntar a matéria para aqueles q estivessem mais distraídos (e eu sempre acertava, invariavelmente), ela começou a achar q eu era superdotada. Minha mãe foi chamada por essa razão. Para não parecer desprezo, me levou a uma psicóloga para fazer o teste de QI. Foi a primeira de incontáveis psicóloga q eu teria durante a vida.
Fiz o teste e nada de mais. Resultado alto, mas dentro dos padrões de normalidade. Mas saí de lá cheia de críticas quanto à metodologia do teste: feito para crianças q sabem tanto q se sentem entediadas quando alguém tenta ensinar-lhes algo, o teste era demais comprido, cerca de umas 600 questões q iam se complicando ao longo do teste, fazendo com q eu (e provavelmente boa parte das crianças q o faziam) marcasse as respostas ao acaso só para terminar logo. Acredito q tenha conseguido uma pontuação mais baixa do q de fato seria se eu não tivesse perdido a paciência. Daí a eu ser superdotada é um passo muito grande. Mas para eu ser superdotada e me achar superior a todos é um passo pequeno.

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