A psicose e o meu hímen
No jornal local havia um caderno voltado para as crianças/pré-adolescentes q era publicado todos os domingos. Eu era leitora assídua desse caderno. Lá anunciavam seus gostos pessoais e procuravam amigos q tinham coisas em comum. E foi lá q eu encontrei Carlos, meu primeiro namorado, q havia colocado um anúncio procurando pessoas q gostassem das Spice Girls. Meu primeiro beijo não foi com ele – nem o segundo, o terceiro, o quarto... q tiveram tanta importância q nem me lembro deles. Meu primeiro beijo foi com o primo dos meus vizinhos, q tinha 15 anos enquanto eu tinha 8. Senti-me atraída por ele, q disse q me beijaria se eu beijasse também o seu primo – meu vizinho, um ano mais novo e q não me atraía. Mas acabei beijando os dois, de língua, cinco vezes cada. Não foi tão bom quanto eu imaginava.
Mas foi com o Carlos q eu tive minhas primeiras experiências sexuais. Não chegamos a fazer sexo propriamente dito, mas ele me penetrava com os dedos. Eu não achava aquilo ótimo, mas ele sim. E como eu não chegava a me incomodar com esse hábito, não falava nada e deixava ele seguir em frente. Uma vez, depois de ele me penetrar com os dedos durante uma tarde inteira, fui ao banheiro. Quando me sequei, o papel higuênico estava cheio de sangue. Fiquei com vergonha por ele ter me penetrado enquanto eu estava menstruada, mas me acalentei com a idéia de q, como os dedos dele não estavam ensangüentados, ele poderia não ter percebido. Naquele mesmo mês, quando fiquei menstruada pela segunda vez, notei q aquele primeiro sangramento não se tratava de menstruação: foi meu hímen q rompeu. O Carlos era um sujeito meio maluco (de q outra forma um cara de 17 anos namoraria uma menina de 12?). Acreditava piamente q ele e mais dois amigos (q nunca conheci e nunca tiveram suas existências comprovadas) faziam parte de uma organização q protegia a Terra das invasões alienígenas, chamada USK. Eu, no meu sempre presente tédio e carência de fantasias, acreditava nisso e adorava tudo. Ele me contava histórias fantásticas sobre uma substância chamada "função plasma", fabricada apartir de 4 litros de coca-cola e outros itens secretos q ele não poderia me revelar, q eles usavam para capturar os alienígenas. Com o tempo, a fantasia ficou cansativa e foi engolida para dentro do tédio. Agora Carlos estava sempre tendo reações dramáticas, pois notara q eu estava prestes a terminar o namoro. Ameaçava se matar, mas mesmo assim consegui me livrar daquela presença q se tornara insuportável. Em resumo, nossa relação durou dois meses: um de fantasia, delírios e supervalorização; e o outro de tentativas minhas de terminar o namoro sem ninguém morto.

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